Alta do petróleo pode anular medidas do governo e manter diesel pressionado no país

Entidades do setor alertam para impacto de reajustes, mercado internacional e composição do combustível no preço final ao consumidor

Reprodução

Mesmo com medidas anunciadas pelo Governo Federal para tentar conter o avanço dos preços, o diesel deve continuar pressionado no Brasil. Em nota conjunta, entidades do setor afirmam que a alta internacional do petróleo e recentes reajustes internos podem reduzir o efeito das ações propostas.

O posicionamento é assinado por Fecombustíveis, Sindicom, Brasilcom, Abicom, Refina Brasil e Sincopetro. Segundo as organizações, o cenário global, influenciado por tensões no Oriente Médio, tem elevado a volatilidade do petróleo e impactado diretamente o custo dos combustíveis.

O pacote do governo prevê zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e conceder um subsídio de R$ 0,32 por litro. No entanto, as entidades destacam que as medidas ainda não estão em vigor e, mesmo após a implementação, não garantem redução integral ao consumidor.

Isso ocorre porque o diesel comercializado nos postos, conhecido como diesel B, é composto por 85% de diesel A e 15% de biodiesel. Com isso, qualquer redução aplicada apenas sobre o diesel de origem fóssil tende a ter efeito limitado no preço final.

Além disso, outros fatores influenciam diretamente o valor nas bombas, como ICMS, custos de frete, despesas operacionais e o preço do biodiesel.

Outro ponto de pressão foi o reajuste anunciado pela Petrobras neste mês, que elevou o preço do diesel A em R$ 0,38 por litro. Na prática, o impacto estimado no diesel vendido ao consumidor é de cerca de R$ 0,32 por litro.

As entidades também ressaltam que parte significativa do abastecimento nacional depende de refinarias privadas e de importadores, que seguem a dinâmica dos preços internacionais. Dessa forma, oscilações no mercado externo tendem a ser repassadas ao mercado interno.

Diante do cenário, o setor defende a adoção de medidas adicionais para evitar a continuidade da alta e possíveis riscos de desabastecimento em algumas regiões. As instituições afirmam que permanecem abertas ao diálogo com o governo e reforçam a necessidade de ações rápidas para garantir o abastecimento e a estabilidade do mercado.

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