Contador preso em Cuiabá ostentava luxo nas redes e é mentor de fraude milionária

Eduardo Cristian Martins Correa do Nascimento é apontado como mentor de esquema que abriu mais de 4 mil CNPJs para aplicar golpes de e-commerce; Justiça decretou prisão preventiva.

Reprodução

A Polícia Civil prendeu na manhã desta terça-feira (11), em um condomínio de alto padrão em Cuiabá, o contador Eduardo Cristian Martins Correa do Nascimento. Ele é apontado como o mentor de um esquema de fraude eletrônica milionária e teve a prisão preventiva decretada pela juíza Edna Ederli Coutinho.

Eduardo Cristian é um dos alvos da Operação Domínio Fantasma e, no momento da prisão, também teve equipamentos eletrônicos apreendidos. A investigação aponta que ele usava seu conhecimento técnico para fabricar centenas de CNPJs e aplicar golpes de e-commerce em todo o Brasil.

Vida de Luxo e Golpes

Nas redes sociais, o contador ostentava uma vida de luxo, com fotos de viagens a diversos países, como Colômbia, Grécia, Dubai e França. Ele se apresentava como contador de empresários digitais, afirmando ter aberto mais de 4 mil CNPJs no país.

Para seus 7 mil seguidores, ele dava dicas sobre Imposto de Renda e como conciliar faturamento digital. Agora, Eduardo Cristian responderá por supostos crimes de associação criminosa, fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e crime contra a relação de consumo.

Além da prisão, outras medidas foram cumpridas, como a busca e apreensão na casa de sua esposa, Renata de Moraes, e seu irmão. A Justiça também autorizou o sequestro de R$ 5 milhões, dois imóveis e cinco carros de luxo, além da suspensão de perfis em redes sociais e sites.

Como Funcionava o Esquema

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), começaram após um alerta da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) sobre a criação massiva de empresas por um único contador.

O esquema funcionava da seguinte forma:

  1. Criação de CNPJs de Fachada: Eduardo Cristian criava CNPJs em nome de “laranjas”, geralmente jovens de baixa renda fora de Mato Grosso.
  2. E-commerces Falsos: Os CNPJs eram usados para registrar sites falsos de diferentes segmentos, como brinquedos e roupas. Em um dos casos, o grupo clonou o site de uma marca famosa de cosméticos.
  3. Fraude: Os sites eram impulsionados com anúncios patrocinados. Vítimas de todo o país compravam os produtos, pagavam via Pix ou cartão, mas nunca recebiam as mercadorias.

Entre 2020 e 2024, foram identificadas 310 empresas abertas pelo investigado, sendo que a maioria estava cadastrada em um único endereço comercial em Cuiabá que, na verdade, era apenas uma sala sem identificação. A Polícia Civil aponta que o grupo usava essas empresas para lavar os milhões de reais obtidos com as fraudes.

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