A proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar em Mato Grosso caiu de 27,2% para 22,1% entre 2023 e 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução representa 58 mil lares a menos em situação de vulnerabilidade alimentar no estado.
Apesar da melhora, 885 mil mato-grossenses — cerca de 23% da população — ainda enfrentavam algum nível de carência de alimentos. Desses, 660 mil sofriam insegurança alimentar leve; 130 mil, moderada; e 95 mil, grave — o que significa que passavam fome.
Em 2023, o número de pessoas com restrição alimentar era de 1,08 milhão. Em um ano, cerca de 195 mil saíram dessa condição de vulnerabilidade nutricional.
A pesquisa do IBGE foi realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, por meio do módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua.
Classificação da insegurança alimentar
O levantamento divide a insegurança alimentar em três níveis:
Leve: preocupação com o acesso a alimentos ou redução da qualidade da alimentação;
Moderado: falta de qualidade e diminuição da quantidade de alimentos entre adultos;
Grave: quando a redução na qualidade e quantidade afeta também crianças e adolescentes, configurando situação de fome no domicílio.
Em 2024, 44 mil pessoas deixaram a faixa de insegurança alimentar grave em Mato Grosso. Mesmo assim, o estado registrou a segunda maior taxa de moradores em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave (5,9%) entre as unidades da Federação do Centro-Oeste, ficando atrás apenas do Distrito Federal (8,9%).
Em Mato Grosso do Sul, o índice foi de 5,1%, e em Goiás, de 5,2%.
De acordo com o IBGE, 76,8% dos domicílios mato-grossenses conviviam com segurança alimentar no período analisado.
Cenário nacional
No Brasil, a insegurança alimentar também recuou, passando de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024 — uma redução de 2,2 milhões de domicílios. Ao todo, 54,7 milhões de brasileiros apresentaram algum grau de dificuldade para acessar alimentos no ano passado.
A condição mais severa afetava 6,4 milhões de pessoas. No ano anterior, 62,6 milhões estavam nessa situação, sendo 8,4 milhões em insegurança alimentar grave.
As regiões Norte (37,7%) e Nordeste (34,8%) registraram as maiores proporções de domicílios com restrição alimentar.
O estudo também apontou que três em cada cinco lares com insegurança alimentar (59,9%) têm mulheres como responsáveis. Em relação à cor ou raça, 54,7% dos domicílios nessa condição têm pessoas pardas como responsáveis, seguidas por brancas (28,5%) e pretas (15,7%).




