Marcado pelo Dia da Mulher, março de 2026 se tornou, até o momento, o mês mais violento do ano em casos de feminicídio em Mato Grosso. Até segunda-feira (30), sete mulheres foram mortas em um período de 30 dias em decorrência da violência de gênero.
No acumulado do ano, o Estado já registra 11 feminicídios. Considerando apenas o intervalo de 31 dias, este é o mês mais violento desde 2019, quando teve início a série histórica do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso.
Antes disso, março de 2021 aparecia como o período com maior número de casos, com seis mulheres mortas.
As ocorrências deste ano foram registradas em diferentes municípios, incluindo Cuiabá, Vila Bela da Santíssima Trindade, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Chapada dos Guimarães e Porto dos Gaúchos.
Três dos crimes ocorreram em um intervalo de apenas quatro dias. No domingo (29), a jovem Mariana Santana, de 19 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro na zona rural de Porto dos Gaúchos. O suspeito foi encontrado morto no local.
Na sexta-feira (27), em Sinop, Luzia Ramos, de 50 anos, morreu após ser esfaqueada pelo suspeito, que foi preso em flagrante. Segundo a polícia, o crime teria sido motivado por uma discussão.
Um dia antes (26), em Rondonópolis, a estudante Luiza Regina Oliveira Zanoni, de 29 anos, foi morta a facadas dentro de casa pelo ex-companheiro, após desentendimento relacionado ao fim do relacionamento.
De acordo com o levantamento do Observatório, as principais motivações dos crimes envolvem menosprezo ou discriminação à condição da mulher, separação ou tentativa de rompimento, além de ciúmes, discussões e sentimento de posse.
Ainda segundo os dados, quatro vítimas já haviam registrado boletim de ocorrência contra os agressores, e apenas uma possuía medida protetiva vigente.
Nos dois primeiros meses do ano, Mato Grosso também contabilizou 37 tentativas de feminicídio, média de um caso por dia, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, a deputada suplente Edna Sampaio apontou falhas estruturais na rede de proteção às mulheres.
Segundo ela, há ausência de formalização de protocolos e definição clara de responsabilidades entre os órgãos, o que compromete a prevenção.
A parlamentar defendeu o fortalecimento das políticas públicas e destacou que a violência de gênero costuma apresentar sinais prévios, o que possibilita ações preventivas por parte do poder público.




