MP contesta absolvição de coronel que matou assaltante para proteger a família

Recurso de 20 páginas afirma que o oficial não estava em perigo real quando efetuou os disparos contra o veículo em movimento.

Ronaldo Mazza/AL

A absolvição sumária do tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso, Otoniel Gonçalves Pinto, que matou um assaltante em novembro de 2023, está sendo questionada pelo Ministério Público (MP). O órgão recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) pedindo a condenação do militar e a submissão do caso ao Júri Popular.

O caso ocorreu em 28 de novembro de 2023, quando dois criminosos armados invadiram a residência do tenente-coronel, rendendo familiares e um funcionário. O militar efetuou oito disparos contra o carro usado na fuga, atingindo fatalmente Luanderson, que aguardava do lado de fora dando cobertura ao assalto.

Legítima Defesa Questionada

Em 18 de setembro deste ano, a juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal da Capital, absolveu Otoniel sumariamente, entendendo que ele agiu em legítima defesa ao reagir a uma agressão iminente contra sua família, classificando a morte do assaltante como uma fatalidade.

Contudo, o promotor Vinicius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida, contesta a decisão em um recurso de mais de 20 páginas. O MP sustenta que:

  • Não há comprovação de que o oficial estivesse em perigo real no momento exato dos disparos.
  • A tese de legítima defesa não se sustenta, pois o criminoso estava em fuga.
  • Imagens de câmeras de segurança da residência e de vizinhos foram suprimidas ou recortadas, prejudicando a análise completa da dinâmica do crime.

O promotor defende que a manutenção da absolvição sumária é inadequada e solicita que o tenente-coronel Otoniel seja pronunciado e submetido a julgamento pelo tribunal do júri para que um corpo de jurados analise os fatos.

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