O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que vai intensificar o combate à tentativa de facções criminosas de influenciar o processo eleitoral deste ano. Em diretriz nacional, ele determinou que promotores e procuradores atuem com rigor para impedir o registro de candidaturas financiadas pelo narcotráfico ou sob influência de organizações criminosas.
A orientação foi reforçada durante encontro realizado em Brasília, encerrado nesta terça-feira (7), que reuniu cerca de 30 membros do Ministério Público Eleitoral. Segundo Gonet, a prioridade é evitar que eleitores sejam coagidos ou que o poder econômico do crime distorça o resultado das urnas.
Durante a reunião, foram debatidos temas como registro de candidaturas, fraude à cota de gênero, violência política, desinformação, abuso de poder e prestação de contas.
Para reforçar a fiscalização, foi criado um grupo de trabalho que atuará em conjunto com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e núcleos de inteligência das polícias. A estratégia inclui o cruzamento de dados para identificar possíveis candidatos ligados ao crime organizado.
Em Mato Grosso, a atenção deve ser intensificada, principalmente em relação à origem dos recursos de campanha e ao histórico dos candidatos. O estado enfrenta avanço de organizações criminosas, sobretudo em municípios do interior.
Um dos casos recentes que acendeu o alerta ocorreu em outubro de 2024, durante a Operação Ragnatela, conduzida pela força-tarefa de combate ao crime organizado. A investigação apontou o uso de casas de shows em Cuiabá para lavagem de dinheiro por integrantes do Comando Vermelho.
O esquema envolveu o ex-vereador Paulo Henrique, preso sob suspeita de utilizar influência política para facilitar licenças e proteger eventos ligados à facção. De acordo com as investigações, mais de R$ 79,1 milhões foram movimentados entre 2018 e 2022.




