Prefeitura de Chapada gasta R$ 4,4 milhões em plantas e enfrenta revolta da população

Moradores questionam a compra de oliveiras de R$ 14,4 mil a unidade e a substituição de espécies nativas por exóticas.

Reprodução

A decisão da Prefeitura de Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá) de firmar um Registro de Preços para a compra de plantas ornamentais, incluindo espécies exóticas e mudas de alto valor unitário, provocou forte reação na população. O valor total registrado no pregão, de R$ 4,4 milhões, gerou questionamentos sobre o gasto e a escolha de espécies pouco adaptadas ao clima local.

A compra foi solicitada pela Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Fundiários e firmada com a empresa Viveiro Bogorni LTDA.

Oliveiras de R$ 14 Mil e Críticas Populares

Entre os valores que mais chamaram a atenção no Registro de Preços está o da oliveira, cotada a R$ 14.400,00 por unidade, com 8 unidades totalizando R$ 115.200,00.

Moradores usaram as redes sociais para expressar indignação, criticando a troca de espécies nativas, como os ipês, por mudas que, segundo eles, não sobreviverão à próxima seca.

“Caraca, R$ 4 milhões em planta? Vão plantar espécies exóticas pra morrerem na próxima seca. Oliveiras de 40 anos… Um absurdo”, desabafou um morador.

Outras espécies com valores elevados incluem:

  • Árvore-samambaia (Filicium decipiens): R$ 1.270,00 por unidade.

  • Palmeira Tamareira: R$ 1.450,00 por unidade.

  • Jabuticabeira Sabará adulta (23 anos): R$ 5.450,00 cada.

Outro Lado: Prefeitura Nega Gasto Milionário

Em nota, a Prefeitura de Chapada dos Guimarães negou que tenha gasto R$ 4,4 milhões no projeto e afirmou que o valor global máximo da Ata de Registro de Preços, firmada em março de 2025, é de R$ 278.977,50.

O secretário de Governo, Gilberto Mello, esclareceu que o registro de preços não representa um gasto imediato, mas apenas um limite máximo que a Prefeitura pode adquirir ao longo da vigência da ata. “O pagamento ocorre somente pelo que for efetivamente utilizado”, diz a nota.

A Prefeitura explicou que deu início a um projeto de paisagismo e arborização urbana, aproveitando o período chuvoso. Em relação aos ipês, o Executivo nega o corte:

  • Retirada de Ipê: A prefeitura informa que o exemplar de ipê branco retirado de uma rotatória foi replanto em outro local, no mesmo canteiro central.

  • Espécies Plantadas: Estão sendo plantadas 341 árvores no total. O novo paisagismo inclui jabuticabas, oliveiras, primaveras e palmeiras em pontos estratégicos.

O secretário Gilberto Mello defendeu o projeto, citando que o plantio de ipês nos canteiros laterais ocorreu há quase duas décadas, quando ele era prefeito, e que a cidade precisa de mais arborização, o que é um pedido da população.

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