Prefeituras de MT correm contra o tempo para não perder arrecadação na reforma tributária

Sem ajustes imediatos, municípios podem carregar desvantagem na divisão do IBS pelos próximos 50 anos

Reprodução

Prefeituras de Mato Grosso ainda operam sem adequar suas receitas ao novo modelo da reforma tributária e podem entrar no sistema em desvantagem duradoura. O alerta foi feito durante o II Encontro Mato-grossense de Municípios, em palestra sobre os impactos da nova divisão do Imposto sobre Bens e Serviços.

A mudança estabelece que a arrecadação atual dos municípios servirá como base para a distribuição do imposto ao longo das próximas décadas. Na prática, cidades que entrarem com baixa arrecadação tendem a manter essa desvantagem por até 50 anos.

Segundo o professor e consultor Marcílio Melo, o momento exige ações imediatas, principalmente na revisão do ISS e da dívida ativa, que passam a ter peso estratégico no novo modelo. Ele destacou que, após a consolidação da média de arrecadação, não será possível corrigir distorções.

Estudos apresentados no evento indicam que mais da metade dos municípios mato-grossenses pode enfrentar queda de receita com a mudança, ampliando a necessidade de ajustes na administração tributária.

Entre as medidas recomendadas estão a atualização de cadastros, intensificação da fiscalização, especialmente em atividades ligadas ao agronegócio, recuperação de créditos e maior integração com contadores e empresas para evitar perdas na arrecadação.

A reforma também impõe mudanças estruturais na gestão fiscal. A orientação é que taxas e contribuições passem a sustentar o custeio da máquina pública, enquanto os impostos sejam direcionados a investimentos, o que demanda planejamento e decisões administrativas.

Coordenadora técnica da Associação Mato-grossense dos Municípios, Waldna Fraga afirmou que o prazo é decisivo e não permite adiamentos. Segundo ela, as escolhas feitas agora vão definir o comportamento da receita municipal pelas próximas décadas.

O tema ganhou destaque no encontro, com grande participação de gestores, e passou a ser tratado como prioridade diante do impacto direto nas finanças públicas locais.

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