Com um assunto em debate no STF voltou a se falar sobre a Ferrogrão ou a ferrovia, se vier, entre Sinop e Miritituba no Pará. A decisão no STF foi pela concordância de que não houve inconstitucionalidade na retirada de pequena porção de território de uma comunidade indígena no traçado da ferrovia.
Está aberto o caminho, a partir de agora, para saber se a Ferrogrão se viabilizará ou não. Pode ser elaborado o projeto dessa ferrovia que, se viesse, provocaria uma revolução econômica no norte de Mato Grosso. A produção dali, que já é grande, poderia aumentar mais ainda pois teria meio de transporte que diminuiria o custo, que leva produtos dali, através da rodovia 163, para os portos de Santos ou Paranaguá.
O impacto econômico no Nortão seria tão grande que já tem gente fazendo brincadeira de que poderia até surgir um novo estado ou Mato Grosso do Norte. Isso não ocorrerá, é óbvio, mas faz parte do momento.
Até buscam, como exemplo, o que ocorreu décadas atrás quando a ferrovia Noroeste do Brasil chegou a Campo Grande no estado de Mato Grosso sem divisão. Que, com a ferrovia ali, começaram as falas sobre uma suposta divisão, que veio a ocorrer mais tarde, mas que não teve nada que ver com a ferrovia. Outros fatos levarão à divisão do estado.
Tem um dado importante a ser avaliado nesse assunto da Ferrogrão sair ou não. É que a ferrovia Rumo Logística, é o que se diz, iria também, ao longo dos anos, para o Nortão de MT. Buscaria carga ali e levaria para Santos. Tem até gente que aventa a hipótese da Rumo também subir para o sul do Pará.
Suba ou não, fica difícil acreditar que teríamos no estado duas ferrovias, Ferrogrão e Rumo, competindo por cargas numa mesma região. Seria bom se ocorresse, mas difícil acreditar que ocorreria mesmo. E, em cima disso, aparecem comentários de que a ferrovia que não viria seria a Ferrogrão. Tomara que esta opinião esteja errada, mas está aí no debate também.
Mais dados sobre a sonhada Ferrogrão. Que, se ela viesse, tiraria milhares de carretas das rodovias e que isso seria bom para o meio ambiente, pois não se teria essa enormidade de carretas queimando diesel e poluindo o ar.
Arguem também que, com a Ferrogrão, poderia desaparecer milhares de empregos dos caminheiros que hoje transportam grãos pelas rodovias. Tem ponto de vista contrário a esse argumento. Ponderam que as carretas não levariam grãos para portos do Atlantico, mas poderiam levar de lugares de produção para a ferrovia. Empregos permaneceriam, portanto.
Na verdade, o transporte em larga escala de grãos é mais adequado em ferrovias. É o caso dos EUA. Não se vê isso nas rodovias de lá. Praticamente toda a produção do campo é levada por ferrovia. Quem sabe isso esteja chegando a Mato Grosso também. Não custa nada sonhar um pouco com isso, não?
Alfredo da Mota Menezes é analista político.




