Delegado revela que suspeito de estupro foi morto por facção: ‘Torturado como um animal’

Polícia confirma que homem estava 'decretado' e investiga circulação de informações em grupos de WhatsApp.

Reprodução/Mídia News

O delegado Michael Paes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou nesta quinta-feira (23) que Daferson da Silva Nunes, de 36 anos, encontrado morto com sinais de tortura, foi atacado por membros de uma facção criminosa que se autointitulam “justiceiros”.

Daferson, que era suspeito de ter estuprado uma jovem de 21 anos, na última segunda-feira (20), teria sido torturado por cerca de seis horas antes de ser morto.

“A gente já chegou, pelo menos, no relato de quem teria sido: membros de uma organização criminosa, que se autointitulam justiceiros da sociedade e que, sem nenhuma técnica de investigação, legalidade, autorização do estado, praticam fatos mais graves do que as próprias vítimas que eles acham que estão julgando. A gente já sabe que essa pessoa, esse suspeito de um crime grave de estupro, que para nós é uma vítima de homicídio, foi torturado por muitas horas”, afirmou o delegado Michael Paes.

Tortura e emboscada

O delegado afirmou que, segundo as investigações preliminares, mais de cinco pessoas teriam participado do assassinato de Daferson.

A polícia trabalha com a hipótese de que Daferson foi atraído para uma emboscada após ter sido “decretado” como morto pela facção. A informação sobre o crime de estupro teria circulado em grupos de WhatsApp. A polícia não descarta a possibilidade de o próprio Daferson ter procurado os criminosos para se explicar, momento em que foi atacado.

“As vestes dele estavam todas rasgadas, [coisa de] gente que foi arrastada no chão. Você vai ver pelo olho dele os hematomas que já existiam ali, antes mesmo de ele ser morto. A forma que ele estava amarrado, parece um animal. […] O tipo de tortura, foi muito tempo”, detalhou o delegado.

O corpo e o estupro

Daferson da Silva Nunes foi encontrado morto na manhã de quarta-feira (22) às margens de uma estrada de terra, próximo à MT-010 (Estrada da Guia), em Cuiabá. O corpo estava com as mãos e os pés amarrados e tinha três marcas de tiros na cabeça.

Daferson era o principal suspeito de ser o motorista de aplicativo que teria estuprado uma passageira em Várzea Grande. O nome que consta no boletim de ocorrência do estupro é o mesmo do homem morto.

A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande confirmou, nesta quinta-feira, a presença de evidências de sêmen no corpo da jovem de 21 anos. No entanto, ainda não foi comprovado por exames que o material biológico seja de Daferson.

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