Mato Grosso está enfrentando uma escalada na violência contra a mulher, com o número de feminicídios em 2025 superando o total registrado no ano anterior e alcançando o patamar mais letal dos últimos cinco anos. Até a quinta-feira (13) da segunda semana de novembro, o estado já contabilizava 49 feminicídios.
Os dados são do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que compila as informações a partir das acusações formais enviadas pela Polícia Civil.
Ocorrências e Perfil
O levantamento indica que o mês de junho foi o mais violento, registrando o assassinato de 10 mulheres. Os 49 crimes de 2025 ficam atrás apenas do ano de 2020, que teve 62 feminicídios em meio à pandemia. Os municípios com mais casos são Sinop, Cuiabá, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde.
As investigações mostram que a maioria dos crimes ocorre dentro da residência do casal, no período noturno e, geralmente, às quintas-feiras. As vítimas, em sua maioria, estão na faixa etária entre 25 e 29 anos. Os principais motivos que levam ao crime continuam sendo ciúmes, sentimento de posse e a não aceitação do fim do relacionamento.
Dinâmica Social da Violência
Em entrevista, a delegada da Polícia Civil Judá Marcondes explicou que o aumento dos casos não está ligado à ausência de políticas públicas, mas sim a dinâmicas sociais que sustentam a violência de gênero, como o sentimento de posse e o domínio.
A delegada ressaltou que as mulheres estão mais encorajadas a buscar ajuda, o que é confirmado pelo alto número de medidas protetivas solicitadas – foram 17.910 pedidos em 2024. Contudo, ela alerta que o feminicídio, que é o extremo desse ciclo de violência, ocorre muitas vezes quando a vítima não buscou a proteção do Estado ou interrompeu o pedido, geralmente por medo ou dependência emocional e financeira.
A delegada ainda afirmou que cerca de 80% das medidas protetivas são respeitadas, confirmando a eficácia do mecanismo.
Rede de Apoio e Denúncia
Atualmente, Mato Grosso conta com 9 Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher (DEDM) e 28 Núcleos de Atendimento, com a meta de expansão para 46 unidades.
Para as vítimas que precisam de ajuda, as autoridades orientam a procurar a Delegacia da Mulher mais próxima ou ligar para o 190 (Polícia Militar). Também é possível denunciar pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou usar o Botão do Pânico, disponível no aplicativo MT Cidadão, que aciona socorro imediato. A denúncia pode ser feita de forma anônima.




