Forças de segurança atuam sem prazo definido contra garimpo ilegal em Sararé

Mais de 60 suspeitos foram conduzidos e área dominada por facção segue sob cerco das forças de segurança

Megaoperação destrói maquinário na Terra Indígena Sararé em MT — Foto: PRF

A megaoperação realizada pelo Exército e forças de segurança contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, não tem prazo para ser encerrada. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da Casa de Governo, Nilton Tubino.

Nos dois primeiros dias da ação, mais de 60 suspeitos foram conduzidos à Polícia Federal, sendo que cinco permanecem presos.

O objetivo da operação é desarticular a estrutura do garimpo ilegal e devolver o território aos cerca de 200 indígenas do povo Nambikwara. Segundo Tubino, a presença de grandes estruturas montadas pelos invasores deve prolongar os trabalhos.

A região é considerada uma das mais degradadas da Amazônia Legal e, conforme investigações da Polícia Civil, vinha sendo dominada pela facção criminosa Comando Vermelho.

As forças de segurança atuam de forma integrada, com bloqueios terrestres, patrulhamento fluvial e apoio aéreo com helicópteros, para impedir o retorno dos invasores, favorecido pelo fácil acesso à área.

A operação envolve órgãos federais como o Ministério dos Povos Indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Ministério da Defesa, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, além da Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Abin, AGU, Casa Civil e Censipam.

A intensificação das ações ocorre em meio à alta do preço do ouro no mercado internacional, fator que tem atraído mais garimpeiros ilegais para a região. Segundo a Polícia Federal, o aumento do valor do minério impulsiona a atividade criminosa.

O território indígena Sararé, homologado em 1985, abrange áreas dos municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Dos 67 mil hectares, mais de 3 mil já foram devastados pelo garimpo ilegal.

As autoridades estimam que cerca de dois mil garimpeiros e integrantes de organizações criminosas atuem na área, o que tem gerado conflitos armados. Desde 2023, mais de 460 escavadeiras foram destruídas durante operações de fiscalização.

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