Guarda municipal é preso por cobrar propina via Pix para liberar veículos apreendidos

Servidor de Sorriso (MT) chefiava esquema que desviou ao menos 69 veículos usando procurações e documentos falsos.

Polícia Civil

Um guarda municipal de Sorriso (393 km de Cuiabá) foi preso neste sábado (25) acusado de liderar um esquema criminoso responsável por desviar pelo menos 69 veículos apreendidos que estavam sob a guarda da Prefeitura. A prisão faz parte da Operação Eidolon, deflagrada pela Polícia Civil para cumprir mandados de prisão, busca, apreensão e sequestro de bens contra os envolvidos.

De acordo com as investigações, o servidor público se valia de seu cargo para identificar veículos “vulneráveis” nos pátios, geralmente motocicletas com pendências e pouca chance de serem reclamadas pelos proprietários.

O Esquema de Fraude

O grupo produzia procurações e termos de liberação falsos, com o apoio de falsificadores e cartórios, o que permitia que os comparsas retirassem os veículos de forma ilegítima.

Em troca do desvio, o guarda recebia valores entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por cada liberação irregular, pagos via Pix.

O delegado Bruno França, responsável pela investigação, explicou que o esquema possuía “etapas bem definidas e divisão de tarefas”, indicando uma associação criminosa organizada.

“O servidor público usava o cargo para dar aparência de legalidade aos desvios. As falsificações eram sofisticadas e envolviam até adulteração de certificados digitais”, detalhou o delegado.

Prisões e Bens Sequestrados

Durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu veículos adulterados, documentos falsos e materiais de desmanche. Um dos receptadores chegou a divulgar nas redes sociais um suposto “serviço de retirada de veículos apreendidos em todo o país”.

Além do guarda municipal, outros três suspeitos tiveram prisão decretada pela 2ª Vara Criminal de Sorriso. Eles vão responder por crimes como associação criminosa, peculato, falsificação de documento público e inserção de dados falsos em sistemas.

O nome da operação, Eidolon, vem do grego e significa “reflexo espiritual”, em referência à falsa aparência de legalidade criada pelo grupo para ocultar as fraudes.

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