Operação mira operador financeiro de facção e cumpre 18 mandados em Mato Grosso

Polícia Civil investiga esquema de lavagem de dinheiro com uso de “laranjas” e sequestro de imóveis e veículos de alto padrão

Divulgação

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (10), a Operação Arpão, com o objetivo de desarticular a atuação de um grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado a uma facção criminosa.

Durante a ação, são cumpridas 18 ordens judiciais de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão e sequestro de imóveis e veículos de alto padrão supostamente utilizados pelo grupo investigado. As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.

Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Barão de Melgaço. Entre os alvos está um homem apontado como operador financeiro da facção criminosa e ligado a S.L.Q.A., conhecido como “Dandão”, considerado uma das lideranças do grupo no estado.

As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, foram identificadas estratégias típicas de lavagem de dinheiro, como o registro de bens em nome de terceiros, movimentações financeiras fracionadas e utilização de pessoas interpostas para ocultar a origem ilícita dos recursos.

O principal alvo da operação é W.A.F., conhecido como “Tubarão”, que possui vínculo familiar com o líder da facção. Conforme a investigação, ele seria responsável por gerenciar e ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas.

A apuração aponta que familiares e pessoas próximas eram utilizadas como “laranjas” para registrar bens e movimentar valores com o objetivo de dissimular a origem do patrimônio. Esposas, parentes e integrantes do círculo do grupo aparecem como proprietários formais de veículos e imóveis de luxo, que na prática seriam utilizados pelos investigados.

A compra de bens de alto valor também foi identificada como estratégia para transformar recursos ilícitos em patrimônio aparentemente legal. Entre os bens estão imóveis e veículos de alto padrão avaliados em mais de R$ 500 mil, considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, como depósitos em espécie, transferências fracionadas e pagamentos de alto valor em curto período, o que reforça os indícios de ocultação e dissimulação de patrimônio.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Antenor Junior Pimentel Marcondes, o objetivo das medidas judiciais é aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos.

“O foco da operação é identificar a origem dos valores utilizados na aquisição dos bens e comprovar os crimes antecedentes que teriam gerado esses recursos”, afirmou o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, também são apreendidos documentos, celulares, computadores e registros financeiros que podem auxiliar no mapeamento da estrutura financeira do grupo.

A Operação Arpão integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 dentro da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em Mato Grosso.

O nome da operação faz referência ao instrumento utilizado para capturar grandes peixes, em alusão ao apelido “Tubarão”, atribuído ao principal alvo da investigação.

A ação conta com apoio de diversas unidades da Polícia Civil, incluindo equipes das delegacias especializadas de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger.

A operação também integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para fortalecer o combate ao crime organizado no país.

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