A falta de unidade no grupo político liderado pelo governador Mauro Mendes começa a desenhar um cenário de incerteza para as eleições estaduais. A insistência do senador Jayme Campos em manter sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso evidencia o racha interno e pode comprometer a estratégia da base que comanda o Estado desde 2018.
O atual vice-governador, Otaviano Pivetta, apontado como sucessor natural, enfrenta dificuldades para consolidar uma candidatura de consenso. A fragmentação se intensificou após declarações do ex-governador Blairo Maggi, que defendeu a manutenção de Jayme Campos no grupo.
Durante evento no fim de março, Maggi alertou para os riscos de divisão. Segundo ele, uma disputa com aliados em lados opostos tende a dificultar o processo eleitoral. O ex-governador sugeriu a construção de um acordo político que mantenha o senador na base governista.
O histórico recente reforça a importância da unidade. Em 2018, Mauro Mendes foi eleito com ampla vantagem, em uma chapa que contou com apoio de lideranças como Jayme Campos e Wellington Fagundes. No entanto, o cenário atual indica distanciamento entre antigos aliados.
Nos bastidores, sinais de rompimento se acumulam. Um dos mais recentes foi o pedido de exoneração de César Miranda, ligado a Jayme Campos, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A saída ocorre em meio ao período de desincompatibilização e reforça a tendência de afastamento político.
Além disso, movimentações partidárias recentes também contribuíram para o enfraquecimento do grupo. O União Brasil, legenda de Mauro Mendes, passou por mudanças internas e perdeu espaço com articulações envolvendo outras siglas.
Outro fator que amplia a disputa é o avanço de possíveis candidaturas ao Senado. Nomes como Janaina Riva e Carlos Fávaro já se colocam no cenário, aumentando a complexidade das alianças.
A divisão interna remete a episódios anteriores da política estadual, quando a fragmentação de grupos resultou em mudanças no comando do Estado. O próprio Blairo Maggi, em 2002, emergiu como alternativa em meio a um cenário de desgaste entre lideranças tradicionais.
Diante desse contexto, a sucessão estadual segue indefinida. A ausência de consenso dentro do grupo governista e o fortalecimento de candidaturas paralelas ampliam as incertezas para o pleito de 2026.




