A senadora Margareth Buzetti (PP) criticou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de exonerar o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), para que ele reassuma a vaga no Senado e participe da votação do relatório final da CPMI do INSS.
A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (27), retirou Buzetti da comissão. Em entrevista à imprensa, a senadora afirmou que a decisão foi motivada pelo temor do governo em relação ao resultado da votação.
“Eu acho que o governo está com muito medo desse relatório. É a única explicação para ele ser exonerado a essa hora de sexta-feira. Foi publicado no Diário Oficial porque tem medo do meu voto”, disse.
A parlamentar também criticou o presidente e o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, citado no relatório da CPMI. O documento, elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), propõe o indiciamento de 216 pessoas.
“Se o Lulinha deve, ele que venha se explicar. E o seu papai Lula deveria vir aqui e mostrar o seu filho e pedir para ele se explicar. E não ficar escondendo o seu filho da forma como está. Isso é uma vergonha”, afirmou.
Buzetti declarou ainda que só tomou conhecimento da própria substituição após a publicação oficial da exoneração e disse não ter sido comunicada previamente pelo governo.
“Soube agora porque vi no Diário Oficial. Não fui nem informada. O mínimo de respeito que a gente deveria ter”, afirmou.
A vaga ocupada pela senadora na comissão foi retomada por Fávaro, que deixou temporariamente o comando do Ministério da Agricultura para participar da votação. Nos bastidores, a avaliação é de que o movimento do Palácio do Planalto buscou reforçar a base governista na reta final dos trabalhos da CPMI.
A senadora também afirmou que sua posição seria a mesma independentemente do governo envolvido nas investigações.
“Para mim não interessa se o roubo dos aposentados começou no governo Bolsonaro ou começou no governo Lula. Foi roubo dos aposentados”, declarou.




