Deputado acusa imprensa de distorcer vídeo sobre licitação de R$ 200 milhões

Parlamentar foi entrevistado em rádio de Pontes e Lacerda e afirmou ter vendido participação na construtora ao irmão em 2018; MPE apura o caso

Foto: Elias Costa/Assessoria de Gabinete

O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) afirmou, em entrevista concedida na manhã desta segunda-feira (23) à Rádio Conti FM, em Pontes e Lacerda, que não possui vínculo com a empresa envolvida em licitação que soma quase R$ 200 milhões. A declaração ocorre após repercussão de um vídeo em que ele aparece ao lado do governador Mauro Mendes (União Brasil) comentando sobre o resultado do certame.

Durante a entrevista ao jornalista Antonio Luiz, o parlamentar disse que a fala em que se refere à empresa como “minha” foi uma “expressão de euforia” no momento em que eram anunciados investimentos superiores a R$ 200 milhões para o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, principalmente na área de infraestrutura.

Segundo Moretto, ele vendeu os 50% que possuía na construtora ao irmão em 2018, antes de assumir o mandato. “A empresa é do meu irmão. Já faz oito anos que transferi minha parte para ele, que já era sócio”, afirmou.

Questionado sobre a repercussão negativa, o deputado acusou a imprensa de distorcer o conteúdo do vídeo e disse que a divulgação ocorreu fora de contexto. Ele também demonstrou incômodo ao comentar a investigação em andamento. “Para mim é muito ruim estar sendo investigado por uma difamação, por uma imagem, por um ato que foi cometido pela imprensa”, declarou.

O caso ganhou visibilidade após a divulgação de um vídeo gravado durante a assinatura da ordem de serviço do Hospital Regional de Pontes e Lacerda, no último dia 17. Na ocasião, ao comentar sobre a licitação, Moretto afirmou ao governador: “Duas, a Agrimat e uma a minha”, com o microfone ainda aberto.

A fala gerou debate nas redes sociais sobre possível conflito de interesses envolvendo agentes públicos e empresas contratadas pelo Estado.

Diante da repercussão, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou procedimento cível e solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) autorização para abertura de investigação criminal contra o parlamentar. O órgão pediu prazo de 120 dias para apuração do caso.

Em posicionamentos anteriores e também na entrevista desta segunda-feira, Moretto reiterou que não possui participação na empresa e que a gestão do empreendimento é de responsabilidade exclusiva do irmão.

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