O ex-secretário de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, denunciou nesta quinta-feira (28) um suposto represamento de mais de R$ 100 milhões em recursos da pasta durante a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). As declarações foram feitas durante participação na Câmara Municipal, após convocação do vereador Ilde Taques (Podemos).
Na sessão, Amauri rebateu acusações feitas pelo prefeito sobre um suposto desvio de R$ 80 milhões destinados à compra de livros didáticos. Segundo o ex-secretário, a denúncia divulgada pela prefeitura seria uma “cortina de fumaça” para desviar o foco da situação financeira da Educação municipal.
De acordo com Amauri, a gestão anterior cumpriu o percentual mínimo constitucional de 25% de investimentos na Educação, mas os valores não teriam sido efetivamente repassados à secretaria. Ele afirmou que a situação resultou em dívidas com fornecedores e empresas terceirizadas.
O ex-secretário também citou uma dívida de R$ 25 milhões com a empresa responsável pela contratação das CADs, cuidadoras de alunos com deficiência. Segundo ele, os pagamentos referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro seguem pendentes.
Amauri declarou ainda que documentou as movimentações financeiras e encaminhou as informações ao secretário de Economia, Marcelo Bussiki, além da Comissão de Educação da Câmara Municipal. Ele afirmou ter tratado do assunto com os vereadores Daniel Monteiro (Republicanos), Michelly Alencar (União Brasil) e Prof. Mario Nadaf (PV), integrantes do grupo de trabalho da comissão.
Durante o pronunciamento, o ex-secretário disse que fornecedores de uniformes e kits escolares também aguardam pagamento pelos serviços prestados ao município.
Amauri Monge assumiu a Secretaria Municipal de Educação em março de 2025, após ser cedido pelo ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Ele permaneceu cerca de um ano no cargo.
A reportagem procurou a Prefeitura de Cuiabá, que informou que irá se manifestar posteriormente sobre as declarações.



