O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que não tinha conhecimento sobre a origem de um avião utilizado por ele em janeiro de 2025 e que estaria ligado à empresa Prime You, da qual o banqueiro Daniel Vorcaro era sócio. A informação foi publicada pelo jornal Estadão.
Segundo a reportagem, o voo ocorreu no dia 1º de janeiro, com saída de Diamantino (MT) para Brasília (DF), após a posse de Chico Mendes, irmão do ministro, como prefeito do município.
Procurado, Gilmar Mendes declarou que aceitou uma carona oferecida pelo empresário Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, grupo formado pela fusão entre BRF e Marfrig. Ele negou saber da relação do avião com a Prime You.
Em nota ao Estadão, a Prime You confirmou que Molina possui cota na aeronave, mas afirmou não haver relação pessoal ou comercial entre o executivo e Daniel Vorcaro.
Registros do Aeroporto de Brasília indicam que a aeronave, identificada pelo código PT-PVH, decolou de Diamantino às 16h38 do dia 1º de janeiro de 2025. O avião é um Phenom 300, fabricado pela Embraer, pertencente à empresa PT-PVH Administração de Bem Próprio, presidida por Marcus Vinícius da Mata, sócio da Prime You, responsável pela operação da aeronave.
A reportagem também aponta que outros três ministros do STF utilizaram aviões ligados ao banqueiro. Além de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques teriam realizado viagens nessas aeronaves.
De acordo com o levantamento, ministros e familiares fizeram ao menos 11 trajetos. Alexandre de Moraes e a esposa aparecem como os que mais utilizaram os voos, somando oito viagens. Entre elas, há registro de um deslocamento após sessão no STF e um encontro com Daniel Vorcaro no dia seguinte, conforme relato do próprio ministro.
Dias Toffoli teria utilizado aeronaves de empresários para viagens a um resort e também para ir ao Peru durante a final da Copa Libertadores. Já Kassio Nunes Marques viajou a Maceió em um voo pago por uma advogada ligada ao Banco Master.
Os ministros apresentaram versões distintas sobre os deslocamentos. Nunes Marques confirmou que teve despesas custeadas por terceiros, Moraes afirmou contratar voos de diferentes empresas e Toffoli não se manifestou. Segundo o Estadão, nenhum dos citados reconhece vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro.




