A Justiça de Mato Grosso manteve a denúncia contra os DJs Patrike Noro de Castro e Diego de Lima Datto, além de Jackson Luiz Caye e Marco Antonio Santana, que seguem como réus por associação criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi assinada na sexta-feira (22) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
O caso é resultado da Operação Datar, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em agosto do ano passado. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas que teria movimentado mais de R$ 185 milhões.
As defesas dos investigados apresentaram recursos pedindo a rejeição da denúncia. Os advogados de Diego Datto alegaram que ele já havia sido condenado anteriormente por tráfico de drogas e que as movimentações financeiras apontadas no processo seriam consequência desse crime, sem configurar lavagem de dinheiro.
Já as defesas de Patrike Noro e Jackson Luiz questionaram a validade das provas telemáticas obtidas durante a investigação e pediram a anulação das informações coletadas.
Na decisão, o magistrado rejeitou os argumentos. Segundo ele, a acusação de lavagem de dinheiro pode ser analisada separadamente do crime de tráfico.
“A simples alegação de que os valores teriam origem no tráfico de drogas não afasta a imputação de lavagem de capitais”, escreveu o juiz.
Sobre o pedido de nulidade das provas, Jean Garcia afirmou que os dados eletrônicos fazem parte de um conjunto de provas formado por relatórios, movimentações bancárias, dados fiscais e outras informações reunidas durante as investigações.
O magistrado também destacou que não houve comprovação de manipulação ou quebra de autenticidade das provas apresentadas pela polícia.
A operação foi realizada em Cuiabá, Primavera do Leste, além dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram cumpridas 67 ordens judiciais, entre mandados de prisão, buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias e sequestro de veículos.
As investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos apontam que o grupo utilizava contas de pessoas físicas e jurídicas para movimentar dinheiro sem origem lícita comprovada.
Segundo a Polícia Civil, os valores eram fracionados e transferidos entre diferentes contas para ocultar a origem dos recursos ligados ao tráfico de drogas.




