O juiz Renato José de Almeida Costa Filho, da 2ª Vara de Execuções Penais de Chapada dos Guimarães, negou o pedido da Defensoria Pública para instauração de incidente de insanidade mental e internação psiquiátrica do ex-policial militar Almir Monteiro dos Reis, condenado pela morte da advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni.
Com a decisão assinada nesta segunda-feira (25), Almir continuará cumprindo pena na unidade prisional destinada a policiais e ex-policiais em Chapada dos Guimarães.
O ex-PM foi condenado pelo Tribunal do Júri, em setembro de 2025, a 36 anos de reclusão e um ano de detenção pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual. O crime ocorreu em agosto de 2023, em Cuiabá.
A Defensoria Pública alegou que Almir possui interdição civil desde 2015 e apresentou histórico de desequilíbrio emocional, pedindo a abertura de novo incidente de insanidade mental e a transferência provisória para hospital de custódia. O Ministério Público se manifestou contra o pedido.
Ao negar a solicitação, o magistrado afirmou que a saúde mental do condenado já foi discutida durante a ação penal e que a perícia realizada concluiu que ele tinha plena capacidade de entender o caráter ilícito dos atos praticados.
Segundo o juiz, a defesa tenta rediscutir a condenação já definida pelo Tribunal do Júri.
“Novo incidente só caberia com doença mental superveniente, o que não foi comprovado”, escreveu o magistrado na decisão.
Apesar da negativa, a Justiça determinou que o Estado garanta atendimento psiquiátrico, fornecimento de medicamentos e acompanhamento psicossocial ao condenado dentro da unidade prisional. Também foi determinado o envio de relatório médico no prazo de 30 dias.
“Isso posto, indefiro o pedido de instauração de incidente de insanidade mental e, por conseguinte, o pedido de internação provisória”, diz trecho da decisão.
Relembre o caso
A advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni foi assassinada aos 48 anos, em agosto de 2023, em Cuiabá. Segundo a investigação, ela conheceu Almir Monteiro dos Reis no dia do crime e passou a noite na residência dele.
Conforme o processo, Cristiane foi estuprada, espancada e morta por asfixia mecânica com o uso de um travesseiro. Após o crime, o ex-policial militar limpou o local em tentativa de ocultar vestígios.
O corpo da vítima foi colocado no banco traseiro do carro dela e abandonado na região do Parque das Águas. A família conseguiu localizar o veículo por rastreamento dois dias depois.




