O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, afirmou que é necessário agir de forma conjunta diante do aumento dos casos de feminicídio no estado. A declaração foi feita durante um evento realizado na última semana, em Cuiabá, que reuniu veículos de comunicação e magistrados para discutir formas responsáveis de cobertura da violência contra a mulher.
“Eu me sinto constrangido pelo quadro apresentado de feminicídio no nosso Estado. Acho que chegou o momento de nós fazermos alguma coisa de mãos dadas”, afirmou o magistrado.
Questionado sobre a necessidade de políticas de educação voltadas aos homens, Zuquim disse que o tema exige reflexão. Ele relatou ter sido criado em um ambiente machista e destacou mudanças no papel da mulher ao longo dos anos.
“Hoje a participação da mulher é substancial na sociedade e aos poucos a gente vai vivendo. Eu estou tendo a oportunidade de viver um mundo diferente do que eu fui criado”, disse em entrevista.
O evento foi organizado pela desembargadora Maria Erotides Kneip, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher). Durante o encontro, ela destacou que a divulgação de canais de denúncia e medidas protetivas pode contribuir para salvar vidas.
A magistrada também apresentou dados sobre a atuação do Tribunal no estado. Atualmente, 110 dos 142 municípios de Mato Grosso contam com rede de enfrentamento à violência contra a mulher, reunindo diferentes instituições que atuam na proteção das vítimas. Para ampliar essa cobertura, ela defendeu o apoio da imprensa.
“Mas eu tenho certeza que, a partir desse evento, a imprensa vai me ajudar a cobrar. Porque a imprensa ecoa a voz calada, silenciada da vítima. E a vítima é que cobra essa articulação, a existência dessas redes”, afirmou.
O debate ocorre em meio a um cenário considerado preocupante. Em 2025, Mato Grosso registrou 53 casos de feminicídio, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, mantendo o estado na liderança nacional pelo segundo ano consecutivo. Em 2026, ao menos 11 casos já foram contabilizados até o momento.




