Taques diz que Banco Master liderou esquema que atingiu 45 mil servidores em MT

Ex-governador de MT afirma que esquema teria atingido milhares de servidores e envolvido repasses a empresas ligadas a aliados políticos

Pedro França/Agência Senado

O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques acusou o Banco Master de comandar um suposto esquema de fraudes em crédito consignado no estado e de participar de operações que teriam resultado em repasses milionários a empresas ligadas a aliados políticos.

As declarações foram feitas nesta quarta-feira (25), durante depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado. Parlamentares da bancada mato-grossense questionaram as conclusões apresentadas pelo ex-governador.

Segundo Taques, o banco teria coordenado uma rede de instituições financeiras que induziam servidores públicos a assinarem contratos, dificultavam o acesso a informações e, em alguns casos, atuavam sem autorização do Banco Central. Ele afirmou que passou a investigar o caso a partir de novembro de 2024, ao atuar como advogado de sindicatos.

De acordo com o ex-governador, cerca de 45 mil servidores estaduais possuem contratos com empresas ligadas ao grupo. Ele relatou casos de aposentados com até 60% da renda comprometida com empréstimos, com juros entre 4% e 5% ao mês.

Taques também afirmou que instituições utilizariam nomes semelhantes a bancos para induzir confiança, citando exemplos como “Clickbank” e “BK Bank”. Segundo ele, ao menos 14 empresas teriam vendido ao Banco Master os direitos de recebimento dos empréstimos, posteriormente revendidos ao Banco de Brasília por valores considerados elevados.

Ao relator da CPI, Alessandro Vieira, o ex-governador disse que uma única instituição teria cobrado quase R$ 150 milhões de servidores em nove meses. O senador afirmou que o modelo pode indicar corrupção envolvendo o poder público, já que o crédito consignado depende de autorização estatal para desconto em folha.

Taques também levantou suspeitas sobre a edição de decretos estaduais que ampliaram a margem de comprometimento salarial para empréstimos em diferentes estados, como Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo ele, há semelhanças nos textos e datas das normas.

O presidente da comissão, Fabiano Contarato, questionou se houve articulação entre governos estaduais. Taques respondeu que não possui comprovação, mas defendeu apuração.

Lavagem de dinheiro

Em outra frente, o ex-governador acusou o Banco Master de movimentar R$ 308 milhões oriundos da devolução de impostos para fundos de investimento administrados pela instituição, que teriam beneficiado empresas ligadas a aliados do governador Mauro Mendes.

Segundo ele, os recursos, originalmente devidos à empresa de telecomunicações Oi, teriam sido transferidos a terceiros e posteriormente direcionados a fundos como Royal Capital e Lotte Word, chegando a empresas vinculadas a familiares e aliados políticos.

Taques afirmou ainda que fundos de investimento vêm sendo utilizados como mecanismo para ocultação de recursos, criticando a atuação da Comissão de Valores Mobiliários na fiscalização.

Contexto político

Durante a sessão, senadores citaram o histórico político entre Taques e Mauro Mendes, ambos apontados como possíveis candidatos ao Senado. A senadora Margareth Buzetti questionou se havia motivação política nas declarações, lembrando que Taques foi derrotado por Mendes nas eleições estaduais.

Já o senador Wellington Fagundes questionou os métodos utilizados pelo ex-governador para reunir as informações apresentadas, comparando com a atuação de órgãos de controle.

Ausência em depoimento

O presidente da CPI afirmou ainda que Martha Graeff, convocada para prestar depoimento, não compareceu à sessão e poderá ser alvo de condução coercitiva caso não responda à comissão. Segundo o senador, há indícios de que ela esteja fora do país.

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